quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Balbúrdia das letras: OSamba do branco azedo esquizofrênico.FulgêncioPed...

Balbúrdia das letras: OSamba do branco azedo esquizofrênico.FulgêncioPed...: O Samba do branco azedo esquizofrênico. Fulgêncio Pedra Branca Stanislaw Ponte Preta, alther ego do saudoso Sérgio Porto, criou o in...
O Samba do branco azedo esquizofrênico.
Fulgêncio Pedra Branca
Stanislaw Ponte Preta, alther ego do saudoso Sérgio Porto, criou o inesquecível samba do Crioulo doido, feito por um compositor de escola de samba, que de tanto ser obrigado a escrever sambas patrióticos com grandes vultos históricos, ficou tantã e misturou todo mundo e ficou assim: Foi em Diamantina/ Onde nasceu JK/ Que a Princesa Leopoldina/ Arresolveu se casá/ Mas Chica da Silva/ Tinha outros pretendentes/ E obrigou a princesa/ A se casar com Tiradentes/ …/Joaquim José
Que também é/ Da Silva Xavier/ Queria ser dono do mundo/ E se elegeu Pedro II/ Das estradas de Minas/ Seguiu pra São Paulo/,E falou com Anchieta/ O vigário dos índios/ Aliou-se a Dom Pedro/ E acabou com a falseta/ Da união deles dois/ Ficou resolvida a questão/ E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história/ Que é dos dois a maior glória/ Da. Leopoldina virou trem/ E D. Pedro é uma estação também/ O trem tá atrasado ou já passou.
Algum fato deste tipo deve ter acontecido com os “simpáticos apresentadores globais, Glenda Kozlowski e Luís Roberto, que sinceramente seriam reprovados em qualquer prova do ENEM. Eles serão motivos de uma nova composição, agora o samba do branquelo esquizofrênico, que sem entender nada de samba e nada de nada, decide para ganhar uns trocados ser âncora de uma transmissão de escola de samba. Talvez seja por isto que a Globo faz uma campanha sistemática contra o exame, seus apresentadores sucumbiriam a testes simples de história e conhecimentos gerais. Junto com os repórteres a dupla de apresentadores mais parecia uma dupla de comediantes da escolinha do professor Raimundo, tantas foram as besteiras que falaram no ar, dignas de estarem no Febeapá do Grande Stanislaw.
Para começar a repórter chamou o Rio Tâmisa da Inglaterra de Rio Tâmis, erro de fazer minha sobrinha de três anos corar de vergonha, era apenas o início de duas noites de tortura sem fim. Ouvir a Glenda elogiar as “bolas redondas” da São Clemente foi de pedir para as crianças saírem da sala, o pleonasmo foi pornográfico ou melhor, pornofônico. Será que entre uma e outra sessão de bodyboarder não dava para ler um livrinho? O pequeno príncipe, ao menos?
Mas pasmem, não era suficiente. A Globo se superou na burrice de seus apresentadores: O artista Xangai virou Xangô! Xangô, deu vontade de perguntar, o da Mangueira, grande sambista, ou o orixá. Podiam pedir ajuda aos universitários, ou ao estagiário de jornalismo de plantão que não ia conseguir dizer tanta sandície. Mas eu caí do sofá, deixando minha cachaça Magnífica derramar quando as coisas começaram a esquentar. Imaginem olhar uma senhora de cerca de oitenta anos, Dona Neta da Mangueira, virar a neta do presidente de honra, Delegado, que tinha quase a mesma idade. Foi de chorar de rir! Pensam que acabou, que era suficiente? Nada disto, ainda no desfile da Mangueira Luís Roberto fez questão de dizer que a festa da Penha acontece no Bairro de Ramos, deve ser efeito das novelas globais, nas quais o Horto parece uma favela e o Encantado tem ônibus pirata, São Cristóvão fica perto de Campo Grande... E que o Cacique de Ramos desfile do Ramos a Bonsucesso e depois a Olaria, depois foi para o Centro da cidade. Antes não era desfile, era maratona Ramos-Bonsucesso-Olaria, quem chegasse vivo no Cacique ganhava.
Já se recuperaram? Posso contar mais, ou estão como eu fiquei, chorando de tanto rir? Não acabou, pasmem, não acabou. Glenda e Luís Roberto podem ser humoristas, seriam fantásticos na escolinha do Professor Raimundo, mesmo sem pauta, é só deixar eles falarem. Imaginem Marisa Monte, linda ao lado de Paulinho da Viola e a Glenda ataca: vejam agora, Vanessa da Mata fantasiada de Clara Nunes! Impagável! Impagável! De tirar o tubo... precisei de dois minutos para me recuperar das gargalhadas e o constrangido desmentido, não a Vanessa da Mata está mais atrás, mas que a Marisa Monte pode estar também representando a Clara Nunes, isto pode! Onde? Na imaginação tresloucada da dupla que mais parecia atores do filme Debby & Loide?
A coisa estava tão ruim que afetou até os comentaristas, ninguém da bancada sabia que a imperatriz fora a campeã em 1980 com o enredo da Bahia, e não houve um ponto no apoio para soprar! E a cantora de um música só, Fernandinha Abreu descobriu que a Imperatriz, com dois carros quebrados tinha alegorias melhor acabadas que a Portela, acabadas mesmo deve ser o Rio 40 Graus que fritou os miolos dela! Enem neles! Haja Febeapa, Mobral e Enem!
Mas o final é que foi fantástico, eu guardei o melhor para o final. Pensam que acabou, que foi dito tudo, de todas as maluquices globais, estão enganados. Tem mais. Num arroubo digno de Rui Barbosa, Luís Roberto deu uma de historiador ao comentar o Salgueiro, encheu o peito e explicou para todas as crianças do Brasil que Antônio Conselheiro foi um mártir da nossa independência! Eu demorei cinco minutos para parar de ri, quase perdi o fôlego. O movimento messiânico, sebastianista, mas de base social comunista virou luta pela independência do Brasil! Cala a boca, Magda! A Globo não precisa de humorismo, seus apresentadores já são uma piada, o final foi nota dez em estupidez. O Ministério da Saúde devia advertir, assistir à Globo faz mal à saúde mental, agora temos o samba do Branquelo esquizofrênico, Foi lá em Canudos que o Brasil ficou independente/ Antônio Conselheiro se aliou a Tiradentes...Stanislaw deve estar chorando de rir no andar de cima!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Balbúrdia das letras: Felina

Balbúrdia das letras: Felina: Felina De noite me acordas Teu sexo em brasa já engole minha rocha. Sinto tua febre e teu suco E não sei se sonho ou ainda durmo. Voas ...

Felina


Felina


De noite me acordas
Teu sexo em brasa já engole minha rocha.
Sinto tua febre e teu suco
E não sei se sonho ou ainda durmo.


Voas em cima do meu corpo
Teus dedos arrancam-me os pelos
E tuas unhas cortam-me em sacrifício
De tua boca, labaredas de fogo entoam nossa melodia.


Gemes, felina caçadora dona da madrugada.
Gritas em desespero.
Teus olhos voam ausentes
Teu corpo viaja nas luzes como em um calidoscópio
És mais mulher e poderosa


Sob a cama, santuário do prazer.
Vejo-te então deusa
E eu teu louvor te penetro
Explodindo-te em mil pedaços
Que cato e vou lambendo
Com a fome de um náufrago

E a perfeição de um artista.
Cego hipnotizado por tua camisola branca,
Numa transparência que me arrebata,
Que esvoaça pelo quarto em festa
E delírio e espelhos em que nos dividimos
E nos encontramos em ângulos indecentes e obscenos,
O que aumenta a fogueira
Que crepita nossa pele morena.
Rolamos sobre nossos corpos
Minha cabeça no regaço de tuas pernas,
Vou sugando o teu mel
Enquanto danças com o seio
E fala em línguas estranhas
Até se calar, perdida de tudo
Exangue, deitada, sem defesas.
Veias pulsando, rios de sangue fervente
Corpos a se confundir em um só:
Leite a escorrer em teu ventre,
Que beijo totalmente em desvario,
Calmaria após a tempestade.
A volúpia que te dou,
Que te invade
E te faz me morder
Como a querer me engolir

Para aplacar a fúria deste momento intenso
Onde todo o meu universo
Estava dentro de você.

Balbúrdia das letras: A televisão pede paz

Balbúrdia das letras: A televisão pede paz: A Televisão pede “paz” Estava assistindo à televisão no domingo, quer dizer, tentando assistir... Entre um flash da “Banheira do Gugu”, do ...

Balbúrdia das letras: Espumas do mar

Balbúrdia das letras: Espumas do mar: Espumas do mar Espumas do meu mar, Bóiam marinas saltimbancas De barcos que semipartem sempre para lugar nenhum Ou para dentro desta águ...

Espumas do mar



Espumas do mar


Espumas do meu mar,
Bóiam marinas saltimbancas
De barcos que semipartem sempre para lugar nenhum
Ou para dentro desta água infinita
Que ridiculariza e eterniza a morte
Em pequenas vidas continuas e ininterruptas
Que nadam em silêncios insuportáveis
E cheiros hipnotizadores
Que me levam à areia.


Pé, areia, pé, sal, água,
Areia, tatuí, areia, água,
Pé, frio, pé, tornozelo, água,
Pegadas de dois pés apenas
Caminho sobre a areia,
Caminho sobre o mar,
Afogado em almas imorredouras
Em silêncios nascedouros de vernizes,
Aquarelas de flauta doce


Em sóis vermelhos espargidos
Em brumas que são quadros
De homens que se pintaram em maresia,
E sumiram dentro de agonias,
De ondas que eternamente quebram
Rindo do instante pequeno
Em que contemplamos
Fictos, olhos, perdidos pensamentos
Lástimas, pele salpicada de barulhos
Deste mar entrecortado,
De Botafogos e Cáspios
De Angras azuis perdidas
Em águas calmas que me levam ao fundo
E que me suicidam continuamente em afogamentos
E sangrias desatadas
Em barcas perdidas rumo ao inferno,
Ao pensamento, ao desalento.


Mar, dominador insaciável de meu sono
Desejo ininterrupto,
Instinto imaculado.


Mar, bravio e calmo como cópula.


Mar, nascentes desesperadas a te procurar,
E desaguar como fêmeas no cio,
Amazonas consumido em tua virilidade
Pororocas de sêmen vicinais
Nascimentos de mortes repetidas.


Mar.


Em ti todo silêncio é múltiplo.
É toda música é uma oração.
Todos os deuses são teus
E todos os homens joguetes de tuas marés.
Essência escondida de nossos úberes
Incontida permanência da natureza.