quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Afrodite e Xangô

Afrodite e Xangô


Balzaquiana; decidida, inteligente, culta, bela. Anarquista no temperamento e na ideologia. Não destas anarcóides de classe média que pensam que anarquia é fazer uma tatuagem e colocar um piercing. Mas daquelas que lêem Bakunin, Proudhoun e sabe a história das comunas anarquistas na Rússia e na Espanha Vermelhas. Prega e acredita no amor livre, pratica-o. Já estudara todo Reich, com muito prazer e passou a práxis das idéias dele. Saiu sem culpa de um casamento entediante com um médico asséptico e passou a comer todos os homens que desejava, sem peias ou compromisso. Permanecia com um enquanto lhe desse gosto, passava para outro tão logo sua libido se gastasse. Poderosa e ativa, devorava os homens e sua inteligência e atitude os amedrontava. Era uma lenda e seu mito precedia sua presença. Psicanalista revolucionária, vivia de tratar a alma dos outros. Para ela a análise não era um esporte de ricos. Trabalhava voluntariamente em muitas favelas, preferencialmente entre as mulheres, ensinando a elas a arte e o direito de gozar, o orgasmo como forma de libertação. O direito essencial das mulheres a igualdade absoluta de direitos, de inteligência e formação, de oportunidade e voz com relação aos homens. Para que os homens não mais fossem seus capatazes, donos e algozes, mas sim seus parceiros, cúmplices e irmãos.
Impossível conquistá-la. Não era caçada, caçava. Cunhou o apelido de Miliciana por causa de seus trabalhos entre as comunidades carentes e, logo, logo, ninguém mais a chamava de Clarisse, senão de Miliciana. Um nome tirado de uma novela espanhola, de uma mulher que vivera uma vida tão intensa quanto ela. Sem preconceitos de classe ou cor, amava livremente aquele homem que desejasse. Alta, 1.80, branca, olhos claros, corpo estonteante, sua presença assustava. Sorria sozinha, ainda com as lembranças de seu último homem, um rapaz que ela iniciara realmente nos prazeres de Afrodite, devorando-o, escondida na sala do almoxarifado de um Centro Comunitário, como a aparição da própria deusa grega que escolhesse um mortal qualquer para satisfazer seus prazeres. O nome dele era Antônio, um pouco mais alto que ela; forte naturalmente da vida dura que levara, como pobre para sobreviver, trabalhando desde criança, muito negro, luzidio, era atraente. Tinha 17 anos, era ainda um menino e na verdade era virgem. Ela sabia disto. Pagava a ele para ajudá-la em seu trabalho na Comunidade da Rocinha que lhe rendia muito pouco dinheiro, mas dava a ela uma satisfação imensa.
Ela sempre flagrara o olhar entre envergonhado e com tesão dele no corpo maravilhoso dela. Passeando pelo umbigo sempre à mostra. Ele escondia o rosto. A Miliciana olhava para o pau dele. Era grande, um pau negro, pulsante e virginal, e ela o antevia crescendo na calça. Ela fixava o olhar no membro dele e desde a primeira vez, resolvera desvirginá-lo. Nada planejou, apenas esperaria o momento. Numa das terapias coletivas feitas no fim de semana, o Centro Comunitário estava vazio e eles ficaram com a chave para guardar as coisas. No pequeno almoxarifado, vários objetos da comunidade ficavam empilhados. Antônio estava ajudando a levar colchonetes, que serviram para a terapia respiratória reicheana, àquele espaço vazio, Clarisse fechou a porta atrás de si quando entraram. Tonho surpreendeu-se, mas, quando deu por si, ela já o havia derrubado no colchão, o corpo maravilhoso dela, os cabelos longuíssimos percorrendo seu peito, as mãos por cima da calça, fizeram com que ele ejaculasse, excitado e nervoso com a surpresa, antes mesmo que ela começasse as carícias mais intensas. Ela beijou a boca assustada dele, como quem tem nas mãos um pequeno pássaro indefeso e com frio, que esperasse morte caso não receba o calor de uma boa samaritana, e lhe falou de forma doce e carinhosa:
- Calma!
Antônio, completamente surpreendido pelo ímpeto de Clarisse, estava completamente enredado pelos fios de Ariadne daquela deusa. Ela o deitou nos colchonetes, como se ele fosse sua presa, da mulher aranha fatal, deusa do sexo e do amor. Naquele momento de luxúria primeira, com todo o cuidado e carinhos lascivos, obscenos, impudicos. Ajoelhou-se com as pernas entreabertas por sobre ele, com a luxuriosa rosa do sexo quase encostada no rosto dele. Com malícia e habilidade retirou o pau latejante dele de dentro da prisão que a calça havia se transformado. O membro luzidio e negro, roliço, duro, pulsante, era grosso e grande como ela imaginava. Ainda estava melado pelo leite emanado do espanto dele, mas, mesmo tendo acabado de gozar, permanecia duro. Com a maestria que possuía, Clarisse, a Afrodite anarquista, começou a lamber todo o sumo, sentir o gosto do sêmen na boca e, com a língua, sorvendo, tomou todo o suco derramado. Deixou o pau de Antônio sem nenhum vestígio do recente orgasmo. Isto o excitara ainda mais. Como uma gata, esgueirara seu corpo até a boca de Antônio, e sem que pedisse, só com a linguagem corporal, ele começou a sugar aquela flor cerúlea, rosácea, com odores divinais. Esfregando-se na boca de Antônio, os lábios grossos de negro, a língua vigorosa e rápida, o lamber forte juvenil, começou a enlouquecê-la. Ao mesmo tempo ela engolia quase toda grande vara dele. O pau enchia toda a boca de Clarisse, ela o sugava, tirava da boca, mordiscava, lambia, descia até a base, beijava cuidadosamente, brincando com a língua nas bolas, de maneira, que Antônio, quase sem controle, já estava a ponto de gozar novamente. Sentindo este momento, Clarisse parou de sugá-lo, retirou sua xotinha da boca dele e foi novamente se esgueirando, roçando a pele fina no corpo másculo, juvenil e musculoso dele, de maneira a colocar a bocetinha de encontro ao pau latejante. Ele levantou o corpo levemente de maneira que pudesse segurar a cintura dela. O pau era muito grosso, e a grutinha de Clarisse bem apertada, a penetração era vagarosa e difícil.
Clarisse controlava completamente a descida, inclusive a intensidade, para que ele desta vez não jorrasse antes que ela se satisfizesse. O pau muito grosso ia esticando os lábios da vagina e a enlouquecia. Ele também sentia a xoxota como uma boca muito forte e macia, fruta pegajosa e boa que fosse aos poucos engolindo o enorme pau. O pau descia um centímetro, ela recuava, o que o fazia implorar que ela descesse mais. Foi conquistando aquele pau centímetro a centímetro, aumentando o tesão e o fogo de ambos, que já estavam prestes a explodir. Ele tinha mãos fortes de trabalhador, mãos de proletário. Puxou com força o corpo dela pela cintura e como estivesse muito molhada, ela finalmente cedeu. A vara era longa e tocou o útero da Afrodite encarnada, que se arrepiou, um calor crispou todo o corpo dela. A bocetinha tinha o espaço exato para engolir todo o pau de maneira que nada faltasse, que nenhum espaço ficasse vazio. Assim, cada movimento de ida e vinda, onde ela fazia com que o pau saísse todo e retornasse, parecia que ia efetivamente consumir ambos totalmente. Estavam inebriados e não conseguiriam retardar por muito tempo o orgasmo. De pernas abertas ela se arqueou sobre ele. As peles grudadas, a derme clara e fina dela sobre a derme escura e grossa dele, os pequenos lábios rosáceos dela dando-se a boca grossa dele. O cabelo longo dela alisava o rosto dele, um beijo de entrega, o prazer de um invadindo o corpo do outro, até que houve uma explosão, simultânea. Gritos, ais, sussurros, palavrões.
Ela o surpreendia, pedia, aos berros: “me fode, me fode meu grande garanhão negro, rasga tua putinha, me come com força, vai, vai, mais, me fode”, e realmente parecia que ela seria dividida ao meio naquele ímpeto tresloucado, onde se inundou de sêmen e todo seu corpo ficou arrepiado, os pelos eriçados do mais sublime prazer. Aquele prazer completo e total que é mais forte do que qualquer droga jamais inventada. Bêbados, embriagados um do outro.
Ela pensou que ele estava exausto. Mas agora era a vez de Antônio assumir um papel de Deus africano, de Xangô guerreiro, orixá da justiça, espada vingadora forte em defesa dos fracos, viril entidade negra de África. Jogou Afrodite no colchão e num ímpeto, abrindo suas pernas com os braços e suspendendo-a e dependurando as pernas dela em seu ombro, surpreendeu-a com uma penetração forte, que no início chegou a ser um pouco dolorosa, mas que logo se mostrou extremamente delirante. Antônio que não havia se desgastado muito embaixo de Clarisse, agora, com uma arremetida de um bicho feroz assaltava o corpo dela. Suas estocadas eram fortes, faziam vibrar todo o corpo dela e arrancar gritos de delírio da experiente mulher. Nem parecia um garoto recém iniciado nas artes de Eros. Mais parecia um Deus vindo das matas da África, trazendo em seu ombro um Leão que houvera acabado de matar numa luta furiosa, e agora cobrava de sua amante os tributos de carinhos devidos aos grandes heróis. Ele queria sentir o máximo de prazer e proporcionar também. O pau saia todo e entrava até o fundo da caverna apertada dela. Roçava. arranhava, na entrada roçava no clitóris, no fundo tocava no útero. Ele sugava avidamente, chegava a morder o seio e o ombro dela. Ela cravava as unhas nele que nem sentia a dor. Era um embate furioso de amor. Um poderoso Deus de Ébano entrando e saindo daquela mestra do amor, fodendo ardentemente aquela mulher divinamente safada. Ela trazendo do fundo dele toda a libido que ele carregava.
Uma energia mística envolvia os corpos, não era uma trepada comum, eles faziam o amor com fúria carinhosa, com uma consumação que parecia um amargedom, parecia o último momento do mundo, Antônio descobria um rio invadido por larvas de vulcão dentro de si, e a única coisa que queria era desaguar para o oceano daquela diva, para aquele útero que o acolhia e que parecia enovelá-lo. Um instante que seria tatuado para sempre em sua alma, o cheiro silvestre daquela rosinha selvagem que impregnaria para sempre seu nariz, e que lhe voltaria toda vez que fosse foder uma mulher. Depois de gozar duas vezes, ele podia mais confiantemente comer Clarissse com toda sua potência. Sentia que demoraria a gozar, e queria prolongar a sensação de estar dentro daquela mulher. Abaixou as pernas dela de seu ombro para que ela ficasse confortável e pôs suas mãos em concha embaixo daquela bunda maravilhosa, premindo-a contra ele. Acariciou a esfera macia dividida em duas, completamente lambuzada pelo mel dos dois, e descobriu o orifício anal. Com seus dedos longos, instintivamente, aproveitou a lubrificação, que o próprio sexo dos dois proporcionava, e introduziu quase que inteiramente o dedo dentro daquele cuzinho. Clarisse enlouqueceu, fodida pela frente, ao se mexer, para se afastar do pau, sentia o dedo avançar por trás de si. Quando se afastava do dedo, sentia o pau comendo sua xota. Isto a deixou fora de si, quente, com movimentos convulsivos. A loucura dela contaminou Antônio e logo ambos partilhavam mais uma vez de um desvario em gozo. Ele nem mais tirava o pau. Afundava-o bem forte para senti-lo tocar o útero e deixava que ela rebolasse em desvario enquanto gritava: “vou morrer, me mata amor, me mata de prazer”. Ele sucumbiu aos gritos, ao corpo, aos carinhos, e este orgasmo foi mais do que uma pequena morte, parecia que um fogo os consumiu e eles perderam a razão. Clarisse chorou de prazer. Antônio perdeu o fôlego e a fala.

Em casa, recostada, tomando um bom vinho branco, Clarisse lembrava a iniciação daquele garoto de ouro, daquele Orixá encarnado que ainda tinha muito que aprender e que lhe proporcionaria ainda extremos prazeres nos próximos meses, nos quais dedicaria uma boa parte em ensinar-lhe as artes de Afrodite a seu belo Xangô. Todos os requintes dos prazeres da cama. Era um touro imenso, forte, negro, impávido. Era diamante que precisava ser lapidado. Aprender a retardar o momento da explosão. Aprender a sugar uma mulher com maestria, como se deve. Começando com um beijo tímido na boca, para depois celebrar todo o belo corpo, da nuca a bunda, marcando o caminho com beijos e mordidas na linha da coluna, no umbigo, cintura, para só depois de prepará-la, de fazer jorrar o mel do prazer por entre as pernas. Então, aí, sim, poder sorver o prêmio, o néctar da bocetinha, jorrando em borbotões por conta de um homem que conhecia os mistérios do corpo da mulher. Seria um prazer este tempo de ensinamento, em que se daria e comeria também seu homem, Ariadne devoradora, que após ter consumido tudo que queria de seus homens, deixava-os, melhor preparados para outras mulheres. Eles ficavam com a lembrança sem igual dela para sempre na cabeça, como a aparição de uma deusa a um mortal, um presente dos céus, uma dádiva da vida para quem teve o privilégio de prová-la. Clarisse sorriu, com os dedos entre as pernas, bolinava o clitóris lembrando dele. Logo, logo ela mataria esta saudade que sua grutinha encantada sentia.

2 comentários:

  1. Achei esse texto fantástico e principalmente a parte "Saiu sem culpa de um casamento entediante com um médico asséptico e passou a comer todos os homens que desejava, sem peias ou compromisso. O direito essencial das mulheres a igualdade absoluta de direitos, de inteligência e formação, de oportunidade e voz com relação aos homens. Para que os homens não mais fossem seus capatazes, donos e algozes, mas sim seus parceiros, cúmplices e irmãos" . Continuarei lhe acompanhando! Abs

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